quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Já sabem da nova moda? Não? Não sabem que está na moda os pais quererem filhos médicos. Sim, os brasileiros sonham com filhos médicos! Será que a culpa é do Dr. House, Dr. Hollywood?

Como eu disse em cima, os brasileiros sonham com filhos médicos, mas não disse que esse sonho era dos filhos. Mais uma vez peço aos poucos leitores do blog, que releiam o tópico que fiz sobre perfeição, pois acho que muitos pais irão aprender muito com ele. As pessoas não têm todas as mesmas capacidades e gostos. Eu sei que muita gente sente uma grande frustração porque não conseguiu realizar um sonho, e depois querem que os filhos sigam esse sonho, e acabamos por cair num ciclo vicioso, porque os filhos podem não ter o mesmo sonho e ficam frustrados para toda a vida. Um factor importante em qualquer profissão, é gostar dela. Ser médico, pode ajudar uma pessoa a ganhar algum prestigio, mas ser médico é mais que isso. O caminho começa no segundo grau, quando nós fazemos a primeira grande escolha da nossa vida de estudante. Depois de feita a escolha, temos de nos bater às notas, e como sabem, para se entrar num curso de medicina, são precisas médias muitos altas (o que é desnecessário, e já vão saber porquê), e o que é que muitos fazem para ter notas altas? Gastam rios de dinheiro em cursinhos.

Os cursinhos são bons como complemento ao ensino, ajudando os alunos na aprendizagem da matéria. O problema de muitos deles (se não mesmo a maioria), é que os mesmos não assumem esta função. Ao invés disso, o que muitos explicadores fazem é arquivar testes de professores em dossiês, e perguntam aos alunos que se inscrevem qual a escola e o professor deles, e nos cursinhos, os professores dão os exercícios que acham mais provaveis que cai num futuro teste, e os alunos vão para o teste com as perguntas decoradas. Na minha turma, já aconteceu num teste de filosofia (um exemplo entre muitos), muita gente sair de lá e dizer: "xiiiii, loooooooool, eu fiz este teste no cursinho" ou "eu ja tinha feito o exercicio x, y e z na explica", e os pais todos contentes com as boas notas que os filhos tiram, vão gabar-se para os amigos, sem saberem que estão a ser enganados! Depois, acontece que quando chegam à universidade e não têm explicações, a coisa corre mal, porque não adquiriram hábitos de trabalho, tinham sempre a papinha feita, nunca aprenderam a ser independentes,... Aqueles que se conseguem safar com umas colas, e com uns resumos que arranjaram, mais tarde quando são aceites num posto de trabalho, são os maiores incompetentes que existem. Não deixo de referir que com esta onda vai haver médicos em excesso, e muitos vão ficar de fora.

Tudo isto para dizer que a moda da medicina é um ilusão! Não são as notas que fazem um médico (ou outro profissional). Ser-se médico é muito mais que tirar 10. O que falta a muitos médicos, é o saber estar com os pacientes, é o saber ouvir. Muita desta gente da classe alta, tem arrogância em excesso, e a mania da superioridade (falo por experiencia própria). Portanto trabalhem, pois o que interessa é aprender. O que nos faz alguém, são as nossas capacidades, e não o nosso "chico-espertismo".

domingo, 11 de julho de 2010

"CADA LOCO CON SU TEMA"


CADA LOCO CON SU TEMA

Depois de 134 días sem provar alimentos sólidos e sem tomar nenhum gole de líquido, Guillermo Fariñas levou à boca um copo de plástico vermelho (ironia do destino.. e da cor) e bebeu um poco de água.
Era 2:15 da tarde da quinta-feira 8 de julho e do outro lado do vidro da sala de Terapia Intensiva de onde está internado, dezenas de amigos que o observavam começaram a aplaudir como si tivessem sido testemunhas de um milagre.

Fariñas, segundo eles, ganhou uma batalha.. mas ainda tem um duro combate contra a morte,
porque o terreno dessa batalha foi seu proprio corpo, que é, no final das contas, o único espaço que encontrou disponível para levar a cabo sua campanha (ridicula na opinião de alguns). Cada louco com sua loucura e como dizia o grupo cubano Orishas: CADA LOCO CON SU TEMA...

Sua garganta seca não esperava aquele primeiro copo de água (e vermelho). Produziu-lhe uma dor tão profunda que por um instante achou que estava infartando, segundo ele...
Do outro lado do vidro estavam todos os abutres da imprensa internacional. Espectadores que durante dias mantinham uma vigilancia no hospital, uns torcendo pela vida, outro pela morte...o importante era ter a noticia em primeira mão.

A familia de Guillermo Fariñas permitiu que outra "dissidente" cuida-se dele nesse momento: Yoanis, a famosa blogueira do Generacion Y (y si estas en Cuba, ya sabes como accesar esa pagina, no?), em sua primeira noite depois de finalizar sua greve de fome.

Valeu a pena???? a historia o absolverá... ou não...




CUBA: MODELO DE DEMOCRACIA???


Há algum tempo defendo que o modelo de democracia burguesa chegou ao fim. Entendo como democracia burguesa o modelo representativo gerado pela Revolução Francesa e encampado por esta camada social desde o século XVIII.

O século XX demonstrou que a dita “democracia” nada mais é do que um fim em si mesmo. Ou seja: tornou-se uma “arma” contra os interesses das populações despossuídas. A atual democracia defendida pelas elites resumiu-se ao ato de eleger os “seus” representantes que utilizam o poder econômico para impedir o surgimento de novas lideranças, ao mesmo tempo em que referenda um sistema decrépito e corrupto.

Na Grécia Antiga, Sócrates já visualizava os problemas “democráticos”. O descrédito do modelo democrático ocidental que hoje conhecemos acontecia no séc. V a.C., mas com um detalhe: não existia a mídia e a arma era a retórica. Falar bem para enganar melhor ainda.

Hoje, a democracia propalada pelo país-símbolo, os EUA, não passa de um engodo na verdadeira acepção da palavra. Dois partidos se revezam no poder desde o século XIX e se beneficiam do poder econômico. Um sistema que se parece com o partido único tão execrado por eles mesmos... Republicanos... Democratas... O Capeta versus o Diabo. Grande diferença.

E as eleições... indiretas. Os norte-americanos sequer votam nos seus candidatos. E a “liberdade de imprensa”? Uma mera retórica na qual os grandes grupos empresariais (burgueses) recriam a realidade de acordo com os seus interesses ($). Alguns certamente se lembram de alguns espasmos de “denúncias” contra os donos do poder. Isso representaria o valor da democracia burguesa, dizem os seus defensores. Contam-se nos dedos e certamente fazem parte de uma articulação para manter os benefícios de certos grupos, os grandes “exemplos” de benefícios à democracia por parte de uma “imprensa livre”.

Imprensa livre por parte dos que ganham dinheiro com a notícia? Isso não existe. Que o digam os norte-americanos com a cobertura da invasão ao Iraque.

Não defendo uma “imprensa presa”, como podem pensar os amantes da democracia burguesa e que por coincidência, não são pobres. Só não aceito que este modelo seja utilizado para atacar qualquer outro. entenda-se DISSIDENTES CUBANOS..

Dentro desta lógica de mentiras e enganações institucionalizadas, acusa-se Cuba de praticar inúmeras “atrocidades”, quando o principal acusador (EUA) as pratica diariamente. Não quero aqui entrar no discurso de que se “eles” podem, Cuba pode fazer os mesmo. O que pretendo é fazer uma comparação “pedagógica”.

Cuba não é o paraíso. Isto é notório, mas não é o inferno. Quero fugir da satanização de Cuba (por parte do Diabo) e propor uma leitura do que deu certo. Se você concorda com a Veja, O Globo e Estadão, não perca seu tempo: feche este página e vá para outro site. É o seu direito. Aqui vamos exercitar o cérebro de forma antidogmática.

Os indicadores sociais cubanos são de fazer inveja a vários países europeus. A oferta de Saúde, Educação e Infra-Estrutura atinge 90% da população. A falta de bens de consumo não deve ser confundida com a “miséria” que existe na América Latina, mais precisamente no Brasil. Aliás, não temos condição moral nenhuma de condenar qualquer tipo de país e muito menos Cuba que oferece mais dignidade social à sua população do que este maravilhoso país capitalista. Somos tão bons que falamos (mal) de Cuba...

Dou certeza de que os cubanos não se endividam nas Casas Bahia comprando televisões e eletrodomésticos como os brasileiros. Estes últimos morando em palafitas, ruas sem calçamento, favelas, sem acesso à Saúde etc. Como o Brasil é maravilhoso! Podemos comprar isso tudo e ao mesmo tempo morarmos em favelas! Como é bom o Capitalismo! Mas os nossos burgueses dizem: “Gente, é melhor comprar televisão do que ter uma casa digna!”. Em Cuba, você tem dignidade, e tem televisão!

A violência criada com todo o carinho pelas nossas elites é inexistente em Cuba. Este exemplo reafirma que quando existe uma distribuição de renda e acesso ao bem-estar social, a violência despenca. Não se combate a violência com mais violência como os nossos cristãos de carteirinha pregam.

Em Cuba não existem chacinas como as brasileiras que me envergonham profundamente. Não possuo o menor orgulho deste país que mata e tortura todos os dias milhares de brasileiros pobres. Orgulho do Brasil? Sinceramente, não tenho. Acho que fui duro nessa, mas prometi dizer a verdade... kkkk

Existe liberdade ai? Sinceramente, não. Existe democracia ai? Sinceramente, não. Democracia não é votar como defendem os donos do poder, é mais do que isso. Não há liberdade quando os grilhões da miséria ainda estão presentes no dia-a-dia. Não ser preso de “consciência” não quer dizer que haja democracia. O que há no Brasil é a distribuição da miséria. Isso realmente é democrático.

Meu site e meus artigos certamente são lidos em Cuba. Não me sinto coibido pelo regime... a verdade doi, mas prefiro. Só defendo o que eu defendo pela minha indignação com a miséria humana que existe no meu Brasil. Invejo a França e Cuba, pela dignidade dada à sua população.

Mas você deve estar perguntando: se é tão bom, porque os cubanos fogem? Pelo mesmo motivo que brasileiros e mexicanos e outras populações procuram a emigração todos os dias: melhores condições de vida. No caso cubano tem um agravante: o embargo criminoso dos EUA provocou a deteriorização das condições de vida (a impossibilidade de compra de máquinas, combustível e tudo que é necessário pra produzir bens de consumo). Mesmo em um sistema com benefícios sociais, existem os insatisfeitos. Apesar de tudo, Cuba manteve o padrão de vida mínimo para colocá-la entre os melhores indicadores sociais do mundo.

Os erros cubanos devem ser corrigidos dentro de uma lógica sistêmica. A imposição criminosa de uma “transição” por parte dos EUA com a finalidade de desestabilizar Cuba realça o caráter ditatorial e fascista do governo.

Se mesmo assim você acha que Cuba é uma simples ditadura sanguinária, ainda existe “justificativa”. Voce esta no seu direito... Se os cubanos prendem os opositores, eles possuem um belo exemplo: o norte-americano. Nos EUA se mata, tortura e prendem os opositores também. Eles são ou não são o nosso modelo?

Viva a democracia! Viva CUBA LIBRE... e a verdade...

sábado, 10 de julho de 2010

REVOLUCAO TEIMOSA

Despontava a década de noventa e o sistema socialista nos países do leste europeu veio abaixo. Feliz, o capitalismo selvagem foi ocupando seu lugar.

Cuba, que tinha sido sua aliada, ficou sozinha. Revolución teimosa... insistía em que seu caminho era o socialismo. Estados Unidos e outros países capitalistas dirigindo contra ela toda a estratégia de guerra psicológica e de propaganda. O dinheiro fluiu e os “dissidentes” se multiplicaram ao montes.

Ainda que Cuba tivesse certa experiência em lidar com esses casos fabricados, o que veio para cima podia ficar no livro dos recordes.

Cada dia os “dissidentes” alugavam-se para que, desde Miami, Washington, ou qualquer capital Européia, armaram-se campanhas contra a Revolução em seu nome. Ate alugaram-se para que o bloqueio econômico endurecera-se. Enquanto eles podiam comprar com os dólares como pagamento, menos tinha para comer no prato do vizinho. Seus filhos iam pra escola com um bom café da manha e as outras crianças viram bem reduzidas as quantidades de leite. Ainda assim, os “dissidentes” seguiram aproveitando o que a Revolução tratava de manter gratuito para todos, começando pela assistência médica.

Chegaram o ano 2000 e o tempo seguiu passando. A economia melhorou. Ate os especialistas do Banco Mundial ficaram sem entender como foi possível isso. Não podiam conceber que a unidade e a fé em um sonho fazem milagres.

O objetivo estratégico de afundar a revolução do Caribe não foi possível conseguir. Feridas, isso sim, os «dissidentes» prestam-se para fazer a essa imensa maioria de cubanos fieis a Revolução. Ainda assim, ontem como hoje, sem ser torturados nem desaparecidos, menos assassinados, cada novo personagem “dissidente” já estão passando de moda. A falta de apoio popular é o tendão de Aquiles, deles e de quem paga. Seu grande inimigo é não existir abismo entre dirigentes e povo.

No interior do Partido Comunista cubano existem muitos dissidentes (sem aspas). é normal, é humano. Porque dissentir é não estar de acordo com algo. Ser dissente com a esposa, no tom que seja. Outra coisa é ir à vizinha e unir-se com ela para fazer uma guerra contra a esposa. Isso é traição. é o que tem visto, dia a dia, o povo cubano: Os que no âmbito Internacional chama-se “dissidentes”, estão aliados com o inimigo, Washington, que quer comer sua soberania a picadas.

Uma revolução é um processo criativo. A Revolução Cubana quase partiu do zero, aprendendo tudo. Inovando em quase tudo. E lógico que entre seus criadores não todos estão de acordo com alguma cor dessa obra em construção. Por sorte e assim, do contrario não estaria não se estaria avançando. Dissentem, no se vendem.

Os “dissidentes” seguem sendo esse produto de exportação para ferir a imagem da Revolução. Para que a pressão política internacional atue. Nenhum encontra algo bom da Revolução. São a mostra do filho mal agradecido. Ensinou-lhes a ler, escrever, a ser intelectual, científicos, médicos, maestros. E até lhes ensinou a criticar. Como os corvos, só querem ajudar a arrancar os olhos. E só por uns dólares, umas letras na imprensa internacional e umas louvações dos inimigos da sua nação.

A imprensa internacional. Essa tem tido um papel protagónico. E a única que se lembra deles em Cuba. De qualquer mal-cara faz uma noticia. Está na primeira trincheira, como na guerra.

Alem de «atender-los», e esperar a morte de Fidel o Raúl, não se sabe o que mais faz essa quantidade de repórteres estrangeiros nesta ilha. Cuba está entre os países do mal chamado Terceiro Mundo aos que esta imprensa da tanta prioridade.

O cubano Chucho Valdés, um dos melhores pianistas do mundo, assegurava-me no ano 2004: ”Contra Cuba existe uma imprensa amarela que lhe encanta o sensacional. Ate conosco, os artistas, a imprensa internacional sempre está buscando o lado político das coisas, mas para distorcer tudo e fazer ferida a Cuba, a Revolução”.

O euro deputado francês, Jean-Luc Melenchon, dizia-me em Maio 2010: “Essa imprensa, toda ligada aos Estados Unidos, só importa-lhe buscar a alguém que se diga «dissidente» ou preso político para transformá-lo herói e lançar suas campanhas contra Cuba” (1).

Podia ser estranho. Mas, por que «dissidentes» só existem nos países que não são do gosto político de Washington, Madrid, Londres, Berlín, Paris…??? Estranho, podia ser simplesmente estranho... mas não.

Nota:

1. Entrevista a Jean-Luc Melenchon, deputado europeu francés. “Sudamérica es fuente de

inspiración, lucha y optimismo” http://www.hernandocalvoospina.com/

*Hernando Calvo Ospina. Jornalista e escritor colombiano residente na Franca, colaborador

de Le Monde Diplomatique.

Texto traduzido desde Cubadebate.cu

quarta-feira, 5 de maio de 2010

O CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA EXPLICARÁ....

Cirurgia plástica e procedimentos estéticos: 97% dos médicos processados não têm título de especialista na área.
Levantamento inédito divulgado pelo Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) revela que, dos profissionais processados por cirurgias plásticas e procedimentos estéticos, 97% não têm título de especialista na área. Os principais motivos dos processos éticos são publicidade enganosa (67%) e má prática (28%).

O Cremesp analisou processos que tramitam no órgão de janeiro de 2001 a julho de 2008
envolvendo 289 médicos. Destes, 139 médicos (48,1%) não têm título em nenhuma especialidade
médica, 143 (49,5%) possuem título em especialidades não relacionadas a cirurgia plástica
e procedimentos estéticos. Dentre os médicos processados, há apenas seis cirurgiões
plásticos e um dermatologista.

O relatório destaca que são 53 as especialidades médicas oficialmente reconhecidas.
O médico que anuncia ser especialista em Medicina Estética comete infração ética,
pois esta não existe como especialidade médica.

A publicidade irregular é a infração mais recorrente (66,87%)
Alguns dos exemplos de publicidade irregular citados pelo Cremesp:

Autopromoção de médicos em revistas e programas de televisão.
Exposição de imagens de pacientes "antes e depois".
Divulgação de técnicas não reconhecidas e procedimentos sem comprovação científica.
Mercantilização do ato médico (promoções, quiosques em shoppings, consórcios e
crediário para a realização de cirurgias plásticas).

Má prática (negligência, imperícia ou imprudência)
A má prática é o segundo tipo de infração mais recorrente (28,39%). Foram mais
freqüentes os casos de:

Erro de diagnóstico.
Métodos inadequados de tratamento.
Má assistência no período pós-operatório.
Prescrição errada de medicamento.
Complicações anestésicas.
Erro em cirurgias.
Alta precoce.

Os procedimentos médicos que mais aparecem nos processos ético-profissionais são
lipoaspiração (33,5%) e colocação de prótese de silicone (20,1%).

No universo dos médicos processados, 20,4% são mulheres e 79,6% são homens. A maioria
(91,5%) tem mais de 15 anos de formado. Dentre os processados, 38% são reincidentes.
Foram condenados mais de 70% dos médicos julgados. Nove tiveram o registro cassado.

CUBA AMANHECENDO

Cuba amanhecendo

Si na fotografia tudo fosse como escolher uma imagem e apertar o botão, não teríamos o trabalho de falar de arte. Si a boa fotografia não fosse pensada antes de fazer como si fosse uma estampa bordada a mão, então não podíamos distinguir entre quem sabe mirar e criar, e quem não; entre aprendizes, e consumados criadores como Liborio Noval, quem agora nos regala paisagens cubanos, que só falta a moldura más fina.

VAMOS FALAR SÉRIO

Uma das características dos cubanos é a politização, a outra sua veia humorística. Trata-se de uma combinação que dá como resultado excelentes piadas políticos, censurados na TV, mas presentes nos teatros, bares e sobre tudo, nas ruas.
A tudo eles arrancam lascas, apenas Fidel Castro incorporou sua estratégia de "Batalla de Ideas", reformando a educação e a saúde pública, na rua saiu à piada. Imitando o acento oriental diziam "Comandante, por favor, 'bata-ya de ideas'" [basta já de idéias].
No outro se afirma que Raúl Castro decidiu definir o rumo do país democraticamente. Reuniu a todos os cubanos na Praça y disse que os que quisessem socialismo ficassem a esquerda e os que desejam o capitalismo à direita.
O povo se dividiu, mas no meio fico um homem só. Quando perguntaram respondeu que a ele gostaria de ter as vantagens do socialismo (educação, saúde, etc.), mas com as possibilidades materiais do capitalismo. Então, deram-lhe um cargo de dirigente.
Ninguém fica sem seu pedacinho. Dizem que, durante sua visita a Cuba, ao Papa se caiu no mar no Malecón seu terço. Juan Pablo II se irritou, mas Fidel disse que não se preocupasse, saltou o muro y caminhando sobre a água, recorreu o terço e trouxe de volta.
No dia seguinte o jornal cubano Granma titulava "Fidel es Dios, camina sobre el mar". La página principal do Observatore Romano dizia que "O Papa fez um milagre em Cuba". Ao mesmo tempo em que a imprensa de Miami concluía que "Fidel está tão velho que já não pode nem nadar".
Sigamos com "o exílio", ali onde a imprensa já "matou" tantas vezes a Fidel Castro. Os cubanos de Florida sempre faziam seus planos de retorno dizendo: "Quando Fidel morrer...", mas agora estão tão escaldados que agregam: "bom... si ele morrer".
Uma das piadas mais velhas diz que se Jesus Cristo tivesse sido cubano ainda estaria vivo porque aqui quando no falta a cruz, falta os pregos ou alguém rouba o martelo e, se alguma vez está tudo, com certeza, que esse dia o "crucificador" não vem trabalhar.
Um cachorrinho cubano chega a Miami e, quando os outros cachorros fazem perguntas: ele diz que em Cuba vivia bem, comia bastante, tinha veterinário e até um adestrador. Os outros perguntaram então por que ele foi embora então… "É que eu tinha muita vontade de latir", ele respondeu.
Una pesquisa da ONU consultou a parlamentarios de diferentes continentes: "Que opinião tinha sobre a escassez de alimentos?". Surpreendido o europeu questionou: "Qual escassez?". Enquanto um desolado africano perguntava: "¿Que alimentos?". O deputado cubano respondeu desconfiado: "Opinar eu?".
Inclusive durante os piores momentos da crise econômica dos 90, os cubanos não deixaram de zuar, nessa época diziam que não tinham "apagões" senão "iluminões" porque era maior o tempo em que viviam sem eletricidade.
Naqueles anos de enorme escassez asseguravam, entre sorriso que Adão e Eva eram cubanos porque no tinham roupa, no tinham sapatos, não podiam comer maçãs e, apesar disso tudo, tinham eles convencido de que viviam num paraíso.
No ano 3050 revivem ao ex presidente de Estados Unidos Ronald Reagan. Esse, atualizando-se, começa a perguntar pelos problemas mundiais. Meio Oriente? Já vivem em paz Sr. presidente. O que passou com a China? Temos as melhores relações, responderam-lhe.
Depois de repassar os principais conflitos que tinha vivido no seu tempo, perguntou por Cuba. Largo silencio, até que um dos assessores respondeu vacilando: "não se preocupe que ali o comunismo está a ponto de desaparecer".
Evidentemente nas piadas políticas em Cuba tem para todos os gostos. Como expressara um profeta: "Os cubanos bebem de uma mesma taça a alegria e a amargura. Fazem música de seu choro e se riem da sua música. "Os cubanos levam a sério as piadas e fazem de tudo que é serio uma piada".