
Há algum tempo defendo que o modelo de democracia burguesa chegou ao fim. Entendo como democracia burguesa o modelo representativo gerado pela Revolução Francesa e encampado por esta camada social desde o século XVIII.
O século XX demonstrou que a dita “democracia” nada mais é do que um fim em si mesmo. Ou seja: tornou-se uma “arma” contra os interesses das populações despossuídas. A atual democracia defendida pelas elites resumiu-se ao ato de eleger os “seus” representantes que utilizam o poder econômico para impedir o surgimento de novas lideranças, ao mesmo tempo em que referenda um sistema decrépito e corrupto.
Na Grécia Antiga, Sócrates já visualizava os problemas “democráticos”. O descrédito do modelo democrático ocidental que hoje conhecemos acontecia no séc. V a.C., mas com um detalhe: não existia a mídia e a arma era a retórica. Falar bem para enganar melhor ainda.
Hoje, a democracia propalada pelo país-símbolo, os EUA, não passa de um engodo na verdadeira acepção da palavra. Dois partidos se revezam no poder desde o século XIX e se beneficiam do poder econômico. Um sistema que se parece com o partido único tão execrado por eles mesmos... Republicanos... Democratas... O Capeta versus o Diabo. Grande diferença.
E as eleições... indiretas. Os norte-americanos sequer votam nos seus candidatos. E a “liberdade de imprensa”? Uma mera retórica na qual os grandes grupos empresariais (burgueses) recriam a realidade de acordo com os seus interesses ($). Alguns certamente se lembram de alguns espasmos de “denúncias” contra os donos do poder. Isso representaria o valor da democracia burguesa, dizem os seus defensores. Contam-se nos dedos e certamente fazem parte de uma articulação para manter os benefícios de certos grupos, os grandes “exemplos” de benefícios à democracia por parte de uma “imprensa livre”.
Imprensa livre por parte dos que ganham dinheiro com a notícia? Isso não existe. Que o digam os norte-americanos com a cobertura da invasão ao Iraque.
Não defendo uma “imprensa presa”, como podem pensar os amantes da democracia burguesa e que por coincidência, não são pobres. Só não aceito que este modelo seja utilizado para atacar qualquer outro. entenda-se DISSIDENTES CUBANOS..
Dentro desta lógica de mentiras e enganações institucionalizadas, acusa-se Cuba de praticar inúmeras “atrocidades”, quando o principal acusador (EUA) as pratica diariamente. Não quero aqui entrar no discurso de que se “eles” podem, Cuba pode fazer os mesmo. O que pretendo é fazer uma comparação “pedagógica”.
Cuba não é o paraíso. Isto é notório, mas não é o inferno. Quero fugir da satanização de Cuba (por parte do Diabo) e propor uma leitura do que deu certo. Se você concorda com a Veja, O Globo e Estadão, não perca seu tempo: feche este página e vá para outro site. É o seu direito. Aqui vamos exercitar o cérebro de forma antidogmática.
Os indicadores sociais cubanos são de fazer inveja a vários países europeus. A oferta de Saúde, Educação e Infra-Estrutura atinge 90% da população. A falta de bens de consumo não deve ser confundida com a “miséria” que existe na América Latina, mais precisamente no Brasil. Aliás, não temos condição moral nenhuma de condenar qualquer tipo de país e muito menos Cuba que oferece mais dignidade social à sua população do que este maravilhoso país capitalista. Somos tão bons que falamos (mal) de Cuba...
Dou certeza de que os cubanos não se endividam nas Casas Bahia comprando televisões e eletrodomésticos como os brasileiros. Estes últimos morando em palafitas, ruas sem calçamento, favelas, sem acesso à Saúde etc. Como o Brasil é maravilhoso! Podemos comprar isso tudo e ao mesmo tempo morarmos em favelas! Como é bom o Capitalismo! Mas os nossos burgueses dizem: “Gente, é melhor comprar televisão do que ter uma casa digna!”. Em Cuba, você tem dignidade, e tem televisão!
A violência criada com todo o carinho pelas nossas elites é inexistente em Cuba. Este exemplo reafirma que quando existe uma distribuição de renda e acesso ao bem-estar social, a violência despenca. Não se combate a violência com mais violência como os nossos cristãos de carteirinha pregam.
Em Cuba não existem chacinas como as brasileiras que me envergonham profundamente. Não possuo o menor orgulho deste país que mata e tortura todos os dias milhares de brasileiros pobres. Orgulho do Brasil? Sinceramente, não tenho. Acho que fui duro nessa, mas prometi dizer a verdade... kkkk
Existe liberdade ai? Sinceramente, não. Existe democracia ai? Sinceramente, não. Democracia não é votar como defendem os donos do poder, é mais do que isso. Não há liberdade quando os grilhões da miséria ainda estão presentes no dia-a-dia. Não ser preso de “consciência” não quer dizer que haja democracia. O que há no Brasil é a distribuição da miséria. Isso realmente é democrático.
Meu site e meus artigos certamente são lidos em Cuba. Não me sinto coibido pelo regime... a verdade doi, mas prefiro. Só defendo o que eu defendo pela minha indignação com a miséria humana que existe no meu Brasil. Invejo a França e Cuba, pela dignidade dada à sua população.
Mas você deve estar perguntando: se é tão bom, porque os cubanos fogem? Pelo mesmo motivo que brasileiros e mexicanos e outras populações procuram a emigração todos os dias: melhores condições de vida. No caso cubano tem um agravante: o embargo criminoso dos EUA provocou a deteriorização das condições de vida (a impossibilidade de compra de máquinas, combustível e tudo que é necessário pra produzir bens de consumo). Mesmo em um sistema com benefícios sociais, existem os insatisfeitos. Apesar de tudo, Cuba manteve o padrão de vida mínimo para colocá-la entre os melhores indicadores sociais do mundo.
Os erros cubanos devem ser corrigidos dentro de uma lógica sistêmica. A imposição criminosa de uma “transição” por parte dos EUA com a finalidade de desestabilizar Cuba realça o caráter ditatorial e fascista do governo.
Se mesmo assim você acha que Cuba é uma simples ditadura sanguinária, ainda existe “justificativa”. Voce esta no seu direito... Se os cubanos prendem os opositores, eles possuem um belo exemplo: o norte-americano. Nos EUA se mata, tortura e prendem os opositores também. Eles são ou não são o nosso modelo?
Viva a democracia! Viva CUBA LIBRE... e a verdade...
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