domingo, 11 de julho de 2010

"CADA LOCO CON SU TEMA"


CADA LOCO CON SU TEMA

Depois de 134 días sem provar alimentos sólidos e sem tomar nenhum gole de líquido, Guillermo Fariñas levou à boca um copo de plástico vermelho (ironia do destino.. e da cor) e bebeu um poco de água.
Era 2:15 da tarde da quinta-feira 8 de julho e do outro lado do vidro da sala de Terapia Intensiva de onde está internado, dezenas de amigos que o observavam começaram a aplaudir como si tivessem sido testemunhas de um milagre.

Fariñas, segundo eles, ganhou uma batalha.. mas ainda tem um duro combate contra a morte,
porque o terreno dessa batalha foi seu proprio corpo, que é, no final das contas, o único espaço que encontrou disponível para levar a cabo sua campanha (ridicula na opinião de alguns). Cada louco com sua loucura e como dizia o grupo cubano Orishas: CADA LOCO CON SU TEMA...

Sua garganta seca não esperava aquele primeiro copo de água (e vermelho). Produziu-lhe uma dor tão profunda que por um instante achou que estava infartando, segundo ele...
Do outro lado do vidro estavam todos os abutres da imprensa internacional. Espectadores que durante dias mantinham uma vigilancia no hospital, uns torcendo pela vida, outro pela morte...o importante era ter a noticia em primeira mão.

A familia de Guillermo Fariñas permitiu que outra "dissidente" cuida-se dele nesse momento: Yoanis, a famosa blogueira do Generacion Y (y si estas en Cuba, ya sabes como accesar esa pagina, no?), em sua primeira noite depois de finalizar sua greve de fome.

Valeu a pena???? a historia o absolverá... ou não...




CUBA: MODELO DE DEMOCRACIA???


Há algum tempo defendo que o modelo de democracia burguesa chegou ao fim. Entendo como democracia burguesa o modelo representativo gerado pela Revolução Francesa e encampado por esta camada social desde o século XVIII.

O século XX demonstrou que a dita “democracia” nada mais é do que um fim em si mesmo. Ou seja: tornou-se uma “arma” contra os interesses das populações despossuídas. A atual democracia defendida pelas elites resumiu-se ao ato de eleger os “seus” representantes que utilizam o poder econômico para impedir o surgimento de novas lideranças, ao mesmo tempo em que referenda um sistema decrépito e corrupto.

Na Grécia Antiga, Sócrates já visualizava os problemas “democráticos”. O descrédito do modelo democrático ocidental que hoje conhecemos acontecia no séc. V a.C., mas com um detalhe: não existia a mídia e a arma era a retórica. Falar bem para enganar melhor ainda.

Hoje, a democracia propalada pelo país-símbolo, os EUA, não passa de um engodo na verdadeira acepção da palavra. Dois partidos se revezam no poder desde o século XIX e se beneficiam do poder econômico. Um sistema que se parece com o partido único tão execrado por eles mesmos... Republicanos... Democratas... O Capeta versus o Diabo. Grande diferença.

E as eleições... indiretas. Os norte-americanos sequer votam nos seus candidatos. E a “liberdade de imprensa”? Uma mera retórica na qual os grandes grupos empresariais (burgueses) recriam a realidade de acordo com os seus interesses ($). Alguns certamente se lembram de alguns espasmos de “denúncias” contra os donos do poder. Isso representaria o valor da democracia burguesa, dizem os seus defensores. Contam-se nos dedos e certamente fazem parte de uma articulação para manter os benefícios de certos grupos, os grandes “exemplos” de benefícios à democracia por parte de uma “imprensa livre”.

Imprensa livre por parte dos que ganham dinheiro com a notícia? Isso não existe. Que o digam os norte-americanos com a cobertura da invasão ao Iraque.

Não defendo uma “imprensa presa”, como podem pensar os amantes da democracia burguesa e que por coincidência, não são pobres. Só não aceito que este modelo seja utilizado para atacar qualquer outro. entenda-se DISSIDENTES CUBANOS..

Dentro desta lógica de mentiras e enganações institucionalizadas, acusa-se Cuba de praticar inúmeras “atrocidades”, quando o principal acusador (EUA) as pratica diariamente. Não quero aqui entrar no discurso de que se “eles” podem, Cuba pode fazer os mesmo. O que pretendo é fazer uma comparação “pedagógica”.

Cuba não é o paraíso. Isto é notório, mas não é o inferno. Quero fugir da satanização de Cuba (por parte do Diabo) e propor uma leitura do que deu certo. Se você concorda com a Veja, O Globo e Estadão, não perca seu tempo: feche este página e vá para outro site. É o seu direito. Aqui vamos exercitar o cérebro de forma antidogmática.

Os indicadores sociais cubanos são de fazer inveja a vários países europeus. A oferta de Saúde, Educação e Infra-Estrutura atinge 90% da população. A falta de bens de consumo não deve ser confundida com a “miséria” que existe na América Latina, mais precisamente no Brasil. Aliás, não temos condição moral nenhuma de condenar qualquer tipo de país e muito menos Cuba que oferece mais dignidade social à sua população do que este maravilhoso país capitalista. Somos tão bons que falamos (mal) de Cuba...

Dou certeza de que os cubanos não se endividam nas Casas Bahia comprando televisões e eletrodomésticos como os brasileiros. Estes últimos morando em palafitas, ruas sem calçamento, favelas, sem acesso à Saúde etc. Como o Brasil é maravilhoso! Podemos comprar isso tudo e ao mesmo tempo morarmos em favelas! Como é bom o Capitalismo! Mas os nossos burgueses dizem: “Gente, é melhor comprar televisão do que ter uma casa digna!”. Em Cuba, você tem dignidade, e tem televisão!

A violência criada com todo o carinho pelas nossas elites é inexistente em Cuba. Este exemplo reafirma que quando existe uma distribuição de renda e acesso ao bem-estar social, a violência despenca. Não se combate a violência com mais violência como os nossos cristãos de carteirinha pregam.

Em Cuba não existem chacinas como as brasileiras que me envergonham profundamente. Não possuo o menor orgulho deste país que mata e tortura todos os dias milhares de brasileiros pobres. Orgulho do Brasil? Sinceramente, não tenho. Acho que fui duro nessa, mas prometi dizer a verdade... kkkk

Existe liberdade ai? Sinceramente, não. Existe democracia ai? Sinceramente, não. Democracia não é votar como defendem os donos do poder, é mais do que isso. Não há liberdade quando os grilhões da miséria ainda estão presentes no dia-a-dia. Não ser preso de “consciência” não quer dizer que haja democracia. O que há no Brasil é a distribuição da miséria. Isso realmente é democrático.

Meu site e meus artigos certamente são lidos em Cuba. Não me sinto coibido pelo regime... a verdade doi, mas prefiro. Só defendo o que eu defendo pela minha indignação com a miséria humana que existe no meu Brasil. Invejo a França e Cuba, pela dignidade dada à sua população.

Mas você deve estar perguntando: se é tão bom, porque os cubanos fogem? Pelo mesmo motivo que brasileiros e mexicanos e outras populações procuram a emigração todos os dias: melhores condições de vida. No caso cubano tem um agravante: o embargo criminoso dos EUA provocou a deteriorização das condições de vida (a impossibilidade de compra de máquinas, combustível e tudo que é necessário pra produzir bens de consumo). Mesmo em um sistema com benefícios sociais, existem os insatisfeitos. Apesar de tudo, Cuba manteve o padrão de vida mínimo para colocá-la entre os melhores indicadores sociais do mundo.

Os erros cubanos devem ser corrigidos dentro de uma lógica sistêmica. A imposição criminosa de uma “transição” por parte dos EUA com a finalidade de desestabilizar Cuba realça o caráter ditatorial e fascista do governo.

Se mesmo assim você acha que Cuba é uma simples ditadura sanguinária, ainda existe “justificativa”. Voce esta no seu direito... Se os cubanos prendem os opositores, eles possuem um belo exemplo: o norte-americano. Nos EUA se mata, tortura e prendem os opositores também. Eles são ou não são o nosso modelo?

Viva a democracia! Viva CUBA LIBRE... e a verdade...

sábado, 10 de julho de 2010

REVOLUCAO TEIMOSA

Despontava a década de noventa e o sistema socialista nos países do leste europeu veio abaixo. Feliz, o capitalismo selvagem foi ocupando seu lugar.

Cuba, que tinha sido sua aliada, ficou sozinha. Revolución teimosa... insistía em que seu caminho era o socialismo. Estados Unidos e outros países capitalistas dirigindo contra ela toda a estratégia de guerra psicológica e de propaganda. O dinheiro fluiu e os “dissidentes” se multiplicaram ao montes.

Ainda que Cuba tivesse certa experiência em lidar com esses casos fabricados, o que veio para cima podia ficar no livro dos recordes.

Cada dia os “dissidentes” alugavam-se para que, desde Miami, Washington, ou qualquer capital Européia, armaram-se campanhas contra a Revolução em seu nome. Ate alugaram-se para que o bloqueio econômico endurecera-se. Enquanto eles podiam comprar com os dólares como pagamento, menos tinha para comer no prato do vizinho. Seus filhos iam pra escola com um bom café da manha e as outras crianças viram bem reduzidas as quantidades de leite. Ainda assim, os “dissidentes” seguiram aproveitando o que a Revolução tratava de manter gratuito para todos, começando pela assistência médica.

Chegaram o ano 2000 e o tempo seguiu passando. A economia melhorou. Ate os especialistas do Banco Mundial ficaram sem entender como foi possível isso. Não podiam conceber que a unidade e a fé em um sonho fazem milagres.

O objetivo estratégico de afundar a revolução do Caribe não foi possível conseguir. Feridas, isso sim, os «dissidentes» prestam-se para fazer a essa imensa maioria de cubanos fieis a Revolução. Ainda assim, ontem como hoje, sem ser torturados nem desaparecidos, menos assassinados, cada novo personagem “dissidente” já estão passando de moda. A falta de apoio popular é o tendão de Aquiles, deles e de quem paga. Seu grande inimigo é não existir abismo entre dirigentes e povo.

No interior do Partido Comunista cubano existem muitos dissidentes (sem aspas). é normal, é humano. Porque dissentir é não estar de acordo com algo. Ser dissente com a esposa, no tom que seja. Outra coisa é ir à vizinha e unir-se com ela para fazer uma guerra contra a esposa. Isso é traição. é o que tem visto, dia a dia, o povo cubano: Os que no âmbito Internacional chama-se “dissidentes”, estão aliados com o inimigo, Washington, que quer comer sua soberania a picadas.

Uma revolução é um processo criativo. A Revolução Cubana quase partiu do zero, aprendendo tudo. Inovando em quase tudo. E lógico que entre seus criadores não todos estão de acordo com alguma cor dessa obra em construção. Por sorte e assim, do contrario não estaria não se estaria avançando. Dissentem, no se vendem.

Os “dissidentes” seguem sendo esse produto de exportação para ferir a imagem da Revolução. Para que a pressão política internacional atue. Nenhum encontra algo bom da Revolução. São a mostra do filho mal agradecido. Ensinou-lhes a ler, escrever, a ser intelectual, científicos, médicos, maestros. E até lhes ensinou a criticar. Como os corvos, só querem ajudar a arrancar os olhos. E só por uns dólares, umas letras na imprensa internacional e umas louvações dos inimigos da sua nação.

A imprensa internacional. Essa tem tido um papel protagónico. E a única que se lembra deles em Cuba. De qualquer mal-cara faz uma noticia. Está na primeira trincheira, como na guerra.

Alem de «atender-los», e esperar a morte de Fidel o Raúl, não se sabe o que mais faz essa quantidade de repórteres estrangeiros nesta ilha. Cuba está entre os países do mal chamado Terceiro Mundo aos que esta imprensa da tanta prioridade.

O cubano Chucho Valdés, um dos melhores pianistas do mundo, assegurava-me no ano 2004: ”Contra Cuba existe uma imprensa amarela que lhe encanta o sensacional. Ate conosco, os artistas, a imprensa internacional sempre está buscando o lado político das coisas, mas para distorcer tudo e fazer ferida a Cuba, a Revolução”.

O euro deputado francês, Jean-Luc Melenchon, dizia-me em Maio 2010: “Essa imprensa, toda ligada aos Estados Unidos, só importa-lhe buscar a alguém que se diga «dissidente» ou preso político para transformá-lo herói e lançar suas campanhas contra Cuba” (1).

Podia ser estranho. Mas, por que «dissidentes» só existem nos países que não são do gosto político de Washington, Madrid, Londres, Berlín, Paris…??? Estranho, podia ser simplesmente estranho... mas não.

Nota:

1. Entrevista a Jean-Luc Melenchon, deputado europeu francés. “Sudamérica es fuente de

inspiración, lucha y optimismo” http://www.hernandocalvoospina.com/

*Hernando Calvo Ospina. Jornalista e escritor colombiano residente na Franca, colaborador

de Le Monde Diplomatique.

Texto traduzido desde Cubadebate.cu